Revestimentos: Como fazer a escolha certa


Na hora de decorar, não é só no mobiliário que se deve pensar. Os revestimentos usados nos pisos e nas paredes também precisam ser bem estudados, pois eles formam a base da composição final do ambiente. Esses acabamentos participam da gama de cores que rege o projeto e têm grande influência na atmosfera que se quer alcançar. Assim, o primeiro conselho é: escolha o revestimento tendo em vista seu material, cor e textura.
Para tanto, comece por selecionar o produto de acordo com a função do ambiente. Áreas molhadas (banheiro, cozinha, lavanderia e terraço) pedem materiais resistentes a água e gordura e que sejam fáceis de limpar e manter. Cerâmicas; laminados plásticos; pedras mais duras, como granitos e alguns mármores; pastilhas vitrificadas; limestone; tecnocimento; ladrilhos hidráulicos e pinturas impermeáveis estão entre as melhores opções. Nesse caso, impermeabilidade e dureza são atributos que não podem faltar. Já em áreas externas, os revestimentos adequados, além de possuir as características citadas acima, têm que suportar o sol e a chuva. Desse rol fazem parte madeiras como ipê e cumaru, pedras, porcelanatos, tintas e cimentícios. 
Para áreas social e íntima a gama de materiais disponíveis é bem mais ampla. Os mais usados são madeiras, laminados, carpetes, papéis de parede, tintas lisas e texturizadas e tecidos. Há ainda as placas de couro e os painéis adesivados, muito apreciados para incrementar um determinado canto. Desde que seja avaliada a manutenção e a resistência do material, o limite aqui é a sua imaginação. Alguns projetos hoje estão se inspirando no brutalismo, uma tendência da década de 1960 em que os materiais da própria estrutura ficavam aparentes. Na versão atual, o concreto, o tijolo e os aços corten e inox voltam a se exibir, mas como acabamento, tanto em espaços internos como externos. 
Definido o tipo de revestimento, parta para a análise da textura, cor e padronagem, características que irão determinar o clima do ambiente. Por exemplo, tecidos naturais, como o linho e a seda, imprimem aconchego ao espaço, já um papel estampado tende a deixar clássica a decoração. Por outro lado, placas cimentícias de grande dimensão dão ar moderno ao espaço, enquanto um carpete aplicado em tiras coloridas diverte e aquece a área. Se seu desejo é algo mais rústico e despojado, tijolo de demolição é uma ótima escolha. Um alerta: vá com calma nas texturas, desenhos e cores muito marcantes, eles tendem a tornar os espaços visualmente cansativos.
Outra consideração importante diz respeito à absorção acústica do material. Tecidos, painéis de madeira e carpetes absorvem e reduzem a reflexão do som. Excelentes opções, então, para home theaters e ambientes em que se faz necessário o isolamento de barulhos indesejados.
Finalmente, atente para as condições de instalação. Alguns materiais, como madeiras e cerâmicas, requerem mais obra, enquanto outros, como pisos carpetes de madeira, laminados plásticos e alguns pisos monolíticos, podem ser instalados sobre o antigo revestimento. É preciso, no entanto, considerar a espessura dos pisos escolhidos para não ter problema com a altura das portas.


Os materiais mais populares para o dia-a-dia


Tinta: são muitas as qualidades deste produto. Resistentes, laváveis e fáceis de aplicar e secar, as tintas têm ainda a vantagem de oferecer uma imensa opção de cores. Podem conferir acabamento liso às paredes e também texturizado, tornando-se um elemento decorativo.Monolítico: revestimento à base de cimento ou resina pode ser aplicado sobre qualquer superfície em pisos, paredes, nichos, bancadas e tetos. De alta aderência, caracteriza-se pela grande resistência, facilidade na limpeza e pela espessura mínima, de apenas 2 mm, o equivalente a um cartão de crédito.
Cerâmica e porcelanato: quanto à limpeza diária, poucos revestimentos são tão práticos como esses dois. Também em termos de acabamento, cores e cortes ambos oferecem inúmeras possibilidades. O porcelanato é um tipo de cerâmica fabricada com tecnologia avançada. Diferencia-se das peças comuns esmaltadas por meio de seu processo de monoqueima (uma só queima) e das matérias primas que compõem a sua massa, de baixíssima absorção de água. De origem européia, principalmente Itália e Espanha, o porcelanato ganhou fama no Brasil nos anos 1990 devido à superioridade em relação não só das demais cerâmicas, como também de pedras naturais. Trata-se de um material de alta resistência ao trafego, às variações térmicas e aos reagentes químicos. Vale destacar ainda que seu processo produtivo é ecologicamente correto, pois explora de maneira racional as jazidas.
Tudo que é retirado da natureza é aproveitado, sem desperdício da matéria-prima. Outras qualidades são o peso baixo e a espessura bem menor que a das pedras, o que resulta na economia de todo o processo construtivo, pois as estruturas das edificações podem ser mais leves em função da sobrecarga menor.
Madeira: ideal para grandes superfícies, é usada em pisos (tábuas e tacos) e paredes (lambris e painéis). São inúmeras as opções, hoje com maior destaque para as vindas de manejo sustentável e de demolições. Preferencialmente instalada em quartos e salas, a madeira torna os ambientes aconchegantes e sofisticados.
Papel de parede: conhecido há mais de trezentos anos – os primeiros foram feitos na China – o material hoje oferece uma enorme gama de modelos e texturas. Um papel de parede pode realçar um ambiente inexpressivo e sem estilo, ou alegrar outro em que existem poucos objetos decorativos. Alguns papéis imitam elementos naturais, como couro, pedra ou palha. Há ainda opções com brilho e com texturas inusitadas. Atualmente, grandes impressoras são capazes de estampar qualquer desenho, conferindo a possibilidade de personalizar a decoração.
Tecido: tem função semelhante a do papel de parede, podendo ser escolhido pela textura ou estampa. A aplicação é feita diretamente na alvenaria, por meio de cola, ou na forma de painel estofado.



Como harmonizar piso e parede

Quanto mais você padronizar os pisos e paredes da casa, mais harmônico será o conjunto. Em outras palavras, evite transições bruscas entre os revestimentos, isso gera ruptura visual, comprometendo a beleza e o requinte dos espaços. Uma forma simples é manter o mesmo material ou a mesma cor no piso e na parede. Por exemplo, ambos de madeira ou de pedra, ou então, o piso revestido de resina, cerâmica ou de pastilha de vidro e a parede pintada na mesma tonalidade. No caso de piso e paredes iguais, não é preciso seguir o padrão de acabamento, isto é, pode-se combinar tacos de cumaru com painel de nogueira.
Em transição de ambientes procure padronizar as nuances de claro ou escuro, o resultado será bem mais elegante. Para garantir essa continuidade, outra boa saída é seguir com o piso da sala pelos corredores e só mudar de material nos quartos. Já entre living e terraço a mudança de pisos se atenua quando o revestimento de um avança alguns centímetros no outro. O recurso ainda faz com que os ambientes pareçam maiores. Certifique-se, no entanto, da altura dos materiais. Tacos de cumaru e placas cimentícias são opções que casam bem. Mas se você quiser manter o mesmo visual nos dois espaços, uma alternativa para salas com piso de madeira é usar na varanda um deque do mesmo material. Em cozinhas integradas, o ideal é acompanhar os revestimentos do estar. Se o piso for de madeira, procure um revestimento mais resistente para as áreas próximas da pia e do fogão, como pastilhas cerâmicas. Já paredes em tom escuro tendem a dialogar melhor com a sobriedade da sala.

Fonte: http://casa.abril.com.br/

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